A nossa posição no Teste do PISA (Programme for International Student Assessment) é incompatível com um País que é a oitava economia do mundo. No ano 2000 ocupava a 30ª posição; vem despencando. Em 2018, posicionou no 57º lugar. Se excluirmos a participação dos estudantes das escolas particulares, o Brasil passaria para 66ª posição. Um vexame! Isto se deve em grande parte a uma pedagogia equivocada, de cunho ideológico, que visava a formar militantes e não pessoas competentes em conteúdos. Entendo que o atual status pode ser combatido e significativamente melhorando, se causas básicas dos maus resultados forem atacadas.

Depois de assistirmos cerca de 6 mil escolas públicas aplicando a GIDE AVANÇADA, observamos que um conjunto de causas é recorrente, como absenteísmo de professores (em muitos casos, não significa que os alunos ficam sem aulas, pois há substituições, mas quebram a sequência do ensino das matérias), ausência de alunos, aulas pouco atrativas, não cumprimento dos programas, falta de preocupação com a aprendizagem e de cobrança dos conteúdos ministrados. Em muitas escolas analisadas os dirigentes não têm estas causas devidamente medidas, e quem não mede não gerencia. Nas escolas em que houve a mensuração de causas dos maus resultados, elaborados planos de ação para o seu ataque e conduzida a sua execução com rigor e persistência, houve melhoria sensível do desempenho dos alunos, medida principalmente pelos resultados do IDEB. Sem dúvida, o ataque a causas básicas melhoraria a posição do Brasil. Todavia, para ocupar as primeiras posições, é necessária melhorar a formação de professores e elevação da remuneração para tornar a profissão seja mais competitiva; criação de melhores condições de hard e software para aulas mais atrativas e dinâmicas; também, os estudantes precisam dedicar mais tempo aos estudos (em países mais bem colocados, o tempo de dedicação é o dobro), entre outras medidas.

Publicam-se muitos estudos sobre o assunto. P.ex. Um estudo informa que o país que tem o melhor resultado investe 4 vezes mais/por aluno em comparação com o Brasil. É claro que sou favorável ao aumento do investimento na Educação, desde que seja para atender a itens conectados ao cumprimento das metas de ensino-aprendizagem. Investir em atividade-meio na maioria das vezes não melhora os resultados. Conheço um case em que um governador, durante todo o 1º mandato, investiu pesadamente na melhoria da rede estadual, reformando escolas, colocando ventiladores e condicionadores de ar nas salas de aulas, construindo quadras esportivas, disponibilizando um laptop para cada professor, completando acervo das bibliotecas, entre outros, itens muito importantes para o funcionamento das escolas. Porém, no IDEB de 2009, nada mudou, ficou estagnado. No 2º mandato, aconselhado a trabalhar com gestão (gerenciar é resolver problemas, é atingir metas), atacou causas básicas e teve melhoria expressiva, considerada surpreendente. Não é de se surpreender; trabalhar causas básicas que influenciam no ensino-aprendizagem produz bons resultados. É evidente que é preciso investir mais; mas, é necessário eliminar a corrupção, desperdícios, burocracias, que diminuem o montante que chega à sala de aula.

Concluindo, todos sabemos a importância da Educação para o desenvolvimento do País e da Nação. Pode-se dizer que todos conhecem a letra da canção, mas é preciso cantá-la. Não adianta ficar só no discurso. Há muitas organizações (fundações, institutos de empresas, ONGS) que, periodicamente, promovem elucubrações sobre o assunto, sem chegar a nenhuma contribuição que faça diferença, isso há muitos anos. Penso que, se a Educação melhorar, perdem palanque. Há aquelas que chegam a investir somas vultosas, mas na direção errada, muitas vezes em atividade-meio, não acarretando melhoria do desempenho do sistema. Por isso, a Educação é um assunto em aberto a desafiar as inteligências. Enquanto não são feitas intervenções substanciais, algumas delas acima elencadas, compatíveis com a Educação 5.0, para atender à Industria 4.0, optamos por atacar, nos nossos programas, causas básicas, as causas ambientais (Programa 5S), que comprovadamente produzem melhorias significativas. Não ficamos no imobilismo, dedicados a discussões estéreis, mas sempre atentos a mecanismos que viabilizem saltos de qualidade de que tanto necessitamos.

José Martins de Godoy
Presidente Executivo
da FDG e Membro do Conselho de Administração