Especialista garante que a má qualidade educacional no país não está ligada à falta de verba, mas sim à deficiência da gestão educacional e explica como reverter este quadro.

A data de 15 de março é dedicada ao Dia da Escola, mas em relação à educação e o ensino público do Brasil não há muitos motivos para comemorar. Não é preciso citar todos os problemas que o sistema educacional brasileiro possui, mas é um consenso saber que ter acesso à educação é fundamental na vida de qualquer pessoa, por isso torná-la prioridade é fundamental para o país.

Entre os problemas mais contundentes enfrentados pela educação no país estão a evasão, retenção e baixo nível de aprendizagem. Para a consultora educacional da Fundação de Desenvolvimento Gerencial, Ana Paula Mendonça, quando há melhoria no índice de aprovação e redução no índice de abandono, as escolas economizam recursos expressivos, sendo que, um aluno reprovado origina custos dobrados. “Além disso, motivar um aluno a estudar para que ele alcance os conhecimentos esperados ao longo do ano permite que ele tenha grandes chances de dar sequência aos estudos com qualidade e dentro da faixa etária prevista.”

Mas, o que poucas pessoas sabem é que a má qualidade educacional no país, na maioria das vezes, não está ligada à falta de verba, mas sim à deficiência da gestão educacional. Para a professora Maria Helena Godoy, coordenadora dos projetos técnicos educacionais da FDG é preciso que as lideranças educacionais saibam onde intervir, evitando desperdício de recursos, tempo e talento de profissionais que decidem percorrer o caminho de tentativas e erros, ao implementar políticas e projetos, sem um diagnóstico prévio, fundamentado em hipóteses.

A importância da Gestão Escolar para a melhoria dos resultados

Para conseguir atuar diretamente na organização das causas pedagógicas e ambientais que têm impacto nos resultados das instituições, a implementação da metodologia de Gestão Integrada da Escola (GIDE) tem gerado importantes resultados. “Escolas e redes de ensino que buscam essa metodologia têm se beneficiado significativamente. Em Belo Horizonte, por exemplo, 5 dos 10 primeiros lugares dentre as escolas públicas, no IDEB 2013, (Ensino Fundamental 1) são de escolas parceiras ou ex-parceiras da FDG. A escola que detém o primeiro lugar desde 2009 no IDEB (7,9 em 2013), é também parceira da FDG”, citou a professora.

De acordo com a consultora Ana Paula, a GIDE é um método gerencial que fala a linguagem utilizada nas escolas. “Sua implementação é orientada juntamente com a equipe gestora da escola, como direção, vice-direção e supervisores. Esse time fica responsável por replicar e orientar os professores durante o desenvolvimento da GIDE”.

E para projetar um trabalho permanente e com maior resultado, a Fundação busca o atendimento das Redes Municipais e/ou Estaduais de educação. “Esse trabalho já está sendo realizado no município de Vespasiano e vem sendo conduzido por meio do investimento de empresa privada, comprometida com responsabilidade social em educação que, sob convênio com a FDG, atende toda a comunidade em seu entorno. Ao participarem efetivamente do amplo contexto educacional carente de ferramentas de gestão, as empresas que investem numa Rede Escolar auxiliam na melhoria da educação brasileira mudando os resultados do município atendido”, citou a consultora educacional.