Somos chamados à santidade

Somos chamados à santidade

A ministra mineira do STF apequenou-se e defendeu uma tese que fora antes combatida pelo senador afetado pelo julgamento. O tribunal ficou desmoralizado e essa decisão vai trazer consequências funestas nos futuros relacionamentos institucionais. Por essa e outras razões, decidi não mais assistir a noticiários pela TV, para não me inteirar dos detalhes sórdidos das práticas brasilienses. Para não ficar alienado, vejo, por alto, algumas manchetes em sites de notícias. E chega!
Para usar bem o tempo que ainda me sobra das minhas muitas atividades, tenho estudado a vida dos santos. São vidas fascinantes, inspiradoras, que nos mostram formas extremadas de amor a Deus e ao próximo.
Todos nós somos chamados à santidade, de diversas formas e circunstâncias: são Padre Pio desde criança já se “relacionava” com Jesus; são Domingos Sávio ainda menino declarou que queria ser santo; santa Teresinha compreendeu que, para ser santa, não precisava fazer coisas extraordinárias e, sim, coisas simples, com extremo amor a Cristo; são Bento desde criança manifestou um gosto especial pela oração. Levou uma vida de trabalho, recolhimento e oração, donde o lema dos beneditinos Ora et labora. Foi o estruturador da vida monástica. Conversões tardias também aconteceram: santo Agostinho até os 33 anos teve inúmeras experiências mundanas. Nas Confissões declarou: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova… Tarde te amei! Trinta anos estive longe de Deus. Mas, durante esse tempo, algo se movia …”; santo Inácio de Loyola era um cidadão do tipo capa/espada, ferido na guerra, em recuperação, leu um livro sobre a vida dos santos. Interessou-se pelo assunto e escutou o chamado dos céus. 
Julgo que, para ser santo, ações simples e honestas podem ajudar. Pelo lema Ora et labora, compreendemos que não é necessário nos isolarmos do mundo para começar a viver a santidade. É imperioso amar a Deus incondicionalmente e dar graças pelo dom e milagre da vida e por tudo que recebemos. Uma coisa é certa! Sem praticar a caridade ninguém chega lá.

José Martins de Godoy
203 – 01/11/2017

José Martins de Godoy, engenheiro pela UFMG, dr. engenheiro pela Norges Tekniske Hogskole, ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG, cofundador do INDG, instituidor e integrante do Conselho de Administração Superior da Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila. Visite www.blogdogodoy.com

Disponível em: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=2030#.Wgly9VtSzIU. Acessado em 13/11/17.

Esqueçamos Brasília: ao trabalho

Esqueçamos Brasília: ao trabalho

No penúltimo artigo, afirmei que havia atingido o limite da paciência. Todavia, o limite do brasileiro tem que ser elástico. A situação só piora, e o país parece derreter. Debitei ao foro privilegiado as mazelas que vêm nos assolando. Tinha a expectativa de que fosse derrogado pelo Congresso. No Senado, em segunda votação, a PEC proposta originalmente foi desfigurada. “Nossos representantes” querem mesmo o salvo-conduto para delinquir, amparados na morosidade da terceira instância. Na Câmara, tudo indica que o foro terá o mesmo desfecho. Nenhum parlamentar será preso, em vista da manutenção dos privilégios. Recentemente, com a delação de executivos da JBS, ficou demonstrado que não há exceção, a maioria encontra-se na vala comum. Agora não dá para diferenciar este ou aquele partido. É tudo igual. O espírito público e a lisura nos procedimentos são retórica de discursos.

Revisitando pronunciamentos de envolvidos, constata-se a desfaçatez. Todos os mencionados em delações negam peremptoriamente, na cara de pau, qualquer participação nos fatos narrados, dizendo que são ilações, mentiras, a fim de que os delatores tenham penas reduzidas. Como a rapinagem foi generalizada, articula-se um “acordão” para proteger a corja, inclusive sufocando a Lava Jato.

Do ponto de vista da gestão, tem-se que visar os cabeças do movimento, em consonância com a Lei de Pareto: em todo problema, poucas causas são importantes e muitas, triviais. É imprescindível cassar os nomes conhecidos, sendo desnecessário nomeá-los. São eles os grandes articuladores na luta pela manutenção deste lamentável estado de coisas. Se, por um passe de mágica, pudéssemos eliminar os líderes da corrupção, haveria uma onda moralizadora, a ponto de se construir uma consciência de que delitos como colar em provas e estacionar em local proibido são muito graves. Hoje, esses “pequenos” delitos são considerados “fichinhas” comparados ao que acontece no país, devido à promiscuidade entre os setores privado e público. Como “não há mal que nunca acabe”, fico na esperança de algum fato novo, que mude nossa realidade.

Podemos amenizar o clima: esqueçamos Brasília. Aliás, vejo bons exemplos acontecerem. O campo está dando resposta à crise, com safra recorde de grãos. A indústria de caminhões e máquinas está exportando montantes substanciais. Não obstante, muitas associações de classe e empresários ainda ficam aguardando concessões e providências do poder central. Na minha vida na universidade, trabalhamos para a indústria incessantemente e, por isso, captamos recursos para nossas atividades de ensino e pesquisa. Trabalhamos muito para governos e empresas e fomos remunerados pelo trabalho, sempre produzindo resultados além dos prometidos. Não devemos favor.

A propósito, todo povo tem o governo que merece – há controvérsias, pois acho que não merecíamos os últimos governos. Os Estados Unidos têm Trump agora. Não é que ele rompeu com o Tratado de Paris? Cabe à China, grande poluidora, tomar a liderança na condução de ações para frear as mudanças climáticas. Dando o exemplo, acaba de inaugurar a maior usina solar flutuante.

Da minha parte, também contribuo. Instalei usinas de geração de energia solar, uma na minha residência e duas na fazenda. Já tenho uma produção de 6,5 mil kWh/mês. Quando da primeira usina, em 2015, havia cerca de 400 projetos no país. Agora, quando da instalação da segunda, são cerca de 12 mil, e o custo caiu 30%. Vamos trabalhar, pessoal! Ora et labora, lema dos beneditinos. Em 2018, vamos tratar os políticos como merecem. Quanto a Trump, espero que fique isolado do concerto das nações.

José Martins de Godoy
199 – 16/06/2017

José Martins de Godoy, engenheiro pela UFMG, dr. engenheiro pela Norges
Tekniske Hogskole, ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG, cofundador
do INDG, instituidor e integrante do Conselho de Administração Superior da
Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila.
Visite www.blogdogodoy.com

Fonte:http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=1889#.WXnQr4TyvIU. Acessado em 27/07/17.

É preciso aplicar a gestão

É preciso aplicar a gestão

Participei recentemente de uma reunião em uma entidade interessada em contribuir para a solução de problemas brasileiros, como saúde e segurança. Buscava a possibilidade de conduzir um projeto piloto como demonstração de que resultados de tais áreas podem ser melhorados. Queria parceiros financiadores e tecnologias para abordagem do citado projeto. O coordenador da reunião assinalou que tinha conhecimento de um projeto em que se aplicava o PDCA, dando a entender que aquilo já era. Fiquei desapontado, pois o PDCA é o que há. É um método científico para a solução de problemas, para atingir resultados. Como gestão é atingir metas, vencer desafios, melhorar resultados, o PDCA é o cerne da gestão. A lógica do método é matadora. Aplica-se em qualquer situação, em qualquer área, em qualquer tipo de problema. Para problemas mais simples, ferramentas mais acessíveis; em problemas complexos, ferramentas mais poderosas. A propósito, a maioria das pessoas não sabe o que é problema. Os problemas estão nos resultados; portanto, é um resultado ruim ou algo que precisa ser melhorado. Numa escola, os problemas são a alta taxa de reprovação, de abandono e rendimento pífio da maioria dos alunos aprovados.

Concluí que a maioria dos dirigentes e técnicos que deveriam ser os promotores de mudanças não tem conhecimento do que é gestão. No caso do PDCA, conhecem o significado das iniciais, mas não sabem aplicar o método. Há sempre a busca de alguma panaceia para, num passe de mágica, mudar realidades que só seriam sanadas com conhecimento adequado, muito trabalho e perseverança. Haja vista, no caso da educação, as numerosas visitas à Coreia do Sul, Finlândia e China. Lá encontram professores bem formados, com mestrado, bem remunerados; professores e alunos presentes na sala de aula; currículo cumprido; seriedade; exigência ferrenha, entre outros. Não seria preciso ir muito longe, se não tivéssemos memória tão curta. Lembraríamos do Colégio Estadual de MG, das décadas de 1950 e 60. O que lá havia? Os melhores professores, bem remunerados, nomes famosos e reconhecidos na comunidade. Seriedade absoluta e exigência de elevado desempenho dos alunos. Poderão dizer que agora o ensino é massificado e que não é possível reproduzir as mesmas condições. Certo, em parte. Porém, a fórmula é conhecida.

A minha decepção vai além. Nos últimos 30 anos, treinamos milhares de dirigentes empresariais e da área pública. As empresas reproduziram os ensinamentos para seus colaboradores, chegando à casa de milhões de pessoas. Foi feito um grande mutirão para resolver problemas e aumentar a produtividade. Tiveram que fazer isso porque constataram que a maioria das empresas estava no vermelho quando da redução da inflação: o lucro aparente vinha de aplicações financeiras. Várias empresas alcançaram patamares de excelência e algumas se transformaram em multinacionais. Que vemos agora? Pessoas que foram treinadas estão se aposentando e as que estão sendo repostas não são treinadas em solução de problemas. Encontramos muitos craques em ditar a problemática, mas não apresentam a solucionática, como diria Dario, o Peito de aço. Além disso, depois de determinado período de bonança, houve um relaxamento e o trabalho que precisaria ser contínuo, metódico e persistente foi negligenciado. Como consequência, o país ocupa hoje a 81ª posição no ranking da competitividade mundial. É preciso ter a consciência de que a competitividade é conquistada com aporte de conhecimento, trabalho duro e incessante, envolvendo todas as pessoas. Quando procuramos ressaltar a necessidade de voltarmos a aplicar gestão para atingir melhores resultados, há aqueles que julgam o esforço realizado no passado como um modismo. Querem uma estratégia milagrosa para, sem muito esforço talvez, resolver os nossos imensos desafios. A falta de conhecimento é tão impressionante que chegam a sentenciar que o PDCA já era, quando não sabem sequer do que se trata, tenho certeza. Na área pública, isso é uma verdade inconteste. Ouviram o galo cantar e não sabem onde. Se conhecessem a potência do método e soubessem aplicá- lo, o país não se encontraria na lamentável posição acima.

José Martins de Godoy
193 – 17/03/2017

José Martins de Godoy, engenheiro pela UFMG, dr. engenheiro pela Norges Tekniske Hogskole, ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG,cofundador do INDG, instituidor e integrante do Conselho de Administração Superior da Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila. Visite www.blogdogodoy.com

Fonte: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=1751#.WNAdum8rLIU. Disponível em 20 de março de 2017.

2016: para ser lembrado

2016: para ser lembrado

O ano de 2016 foi produtivo para passar o país a limpo! Quando a gente achava que já tinha visto tudo, era surpreendido por acontecimentos jamais pensados. Vivenciei a renúncia de Jânio Quadros e os tempos conturbados de João Goulart. Depois o país comandado pelos militares. Na redemocratização, a morte de Tancredo Neves e o desastrado governo Sarney. Tive grande entusiasmo com Collor, seguido de imensa frustração; sua grande façanha foi a segunda abertura dos portos. Itamar teve um início titubeante, mas se recuperou com a participação de FHC na Fazenda, iniciando o combate à inflação. O governo FHC implementou o Plano Real e conseguiu domar a inflação; trabalhou para colocar a casa em ordem, criando condições básicas para melhorar a gestão do país. Enfrentou, no período, três grandes crises financeiras internacionais. Lula surfou no grande crescimento mundial, principalmente o da China. As commodities propiciaram considerável acúmulo de reservas em dólares. Poderia ter realizado uma enormidade, além da tentativa da distribuição de renda. Não realizou reformas, nem cuidou de itens básicos de responsabilidade do governo: saúde, educação, segurança , infraestrutura. Nesse governo, começou a institucionalização da corrupção. A história vai mostrar que foi um governo medíocre. O governo Dilma foi um desastre, que desaguou no seu impedimento. Os fatos são recentes, não havendo necessidade de comentários. Vamos admitir, nesses tempos houve muitos desacertos, irresponsabilidades e desprezo à ética. O notável, neste momento, é o combate à corrupção endêmica. É imperioso que o mentor e principais agentes deste monstruoso movimento sejam extirpados da política nacional.

Como não há bem que sempre dure e mal que nunca se acabe, o universo está conspirando a favor da nação. O Mensalão foi uma pequena amostra dos descaminhos que os políticos começavam a trilhar. Ficou muita coisa a apurar. Se não fosse a persistência do ministro Joaquim Barbosa, tudo terminaria em pizza. Vimos ministros chicaneiros tentando melar o processo. De repente, aparece a operação Lava Jato, investigando algo bem pequeno. Ao puxar o fio da meada, vão surgindo coisas inimagináveis. Custo a pensar que esta gangue pudesse tomar conta do país com tanta desenvoltura. Políticos de todos os níveis, dirigentes de estatais, empreiteiros implementaram uma força-tarefa para praticar a corrupção, sem precedentes, em escala colossal. Não se tem notícia que já tenha acontecido em outro país. É assustador pensar que o maioria dos congressistas e alguns ministros estejam envolvidos. Daí assistirmos a tentativas de barrar a Lava Jato pela inibição de procuradores e juízes. É lastimável ver dirigentes da República submetidos a inquéritos, denunciados e como réus. Essas pessoas deveriam afastar-se. Mas jogam pesado, dão a entender que, sem eles, as reformas não serão votadas. Estão em primeiro lugar; o país que se dane.

Merece destaque, neste contexto, Sérgio Cabral. Trabalhamos com ele um bom tempo. Parecia uma pessoa honesta e comprometida. Foi elogiado por nossa organização como um dos melhores gestores públicos. Nas primeiras referências ao recebimento de propina, Cabral negou peremptoriamente. Por isso, ninguém poderia supor que seria um ás da corrupção. Constata-se, agora, que sua desenvoltura neste mister é assombrosa. Na nossa estada no RJ houve melhorias; hoje, a situação é caótica. Infelizmente, os avanços obtidos já devem estar zerados. Na área pública, por falta de disciplina e persistência, tudo volta à estaca zero. Além disso, os desvios devem ter contribuído para a debacle.

Outro destaque a ser feito é sobre o STF. Sempre pensei na Corte como instância de altíssimo nível, com pessoas discretas e respeitadas, proferindo julgamentos e votos lapidares. Vejo ministros dando palestra aqui e ali, concedendo entrevistas sobre qualquer assunto. O pior é vê-los batendo boca, mostrando discordâncias em público. Observo também ministros com posturas partidárias, pedindo vistas de processos com intuito de postergar decisões. Há ainda o ativismo judicial. Isso tira a credibilidade e desmoraliza a Corte.

Em suma, por tudo o que já foi descoberto, investigado, julgado e transformado em condenação, o ano de 2016 é para ser celebrado como o marco de um novo tempo.

José Martins de Godoy
189 – 20/01/2017

José Martins de Godoy, engenheiro pela UFMG, dr. engenheiro pela Norges Tekniske Hogskole, ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG, cofundador do INDG, instituidor e integrante do Conselho de Administração Superior da Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila. Visite www.blogdogodoy.com

Fonte: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=1663#.WInOVlMrLIU. Disponível em 26/01/17.

Torcendo por mudanças

Torcendo por mudanças

A maioria das pessoas tem resistência a mudanças. Eu, ao contrário, sempre as encarei como oportunidades de aprimoramento e melhorias. No momento, julgo que todos estamos ansiosos por novos rumos para o país. Depois de 13 anos vendo alguns acertos e grandes desacertos, vi com satisfação a mudança de governo, mesmo que interinamente. Sempre fico otimista na suposição de que vêm novos procedimentos e projetos consistentes. Espero análise global dos problemas (entendendo problema como maus resultados da atividade fim), priorização de tais problemas e estudo aprofundado das medidas para saná-los. Não espero uma administração ao sabor das emoções (leia-se atendimento das demandas do varejo), que se curve ao toma lá dá cá. Com isto em mente, um de nossos dirigentes solicitou uma audiência a um ministro para falar sobre itens importantes referentes a gestão, que tinham a ver com a área da pasta envolvida. Visávamos a apresentar nossa experiência de 20 anos no assunto, resultados importantes obtidos e como a nossa abordagem poderia ajudar o país.

Fiquei curioso para saber o resultado do encontro. Mandei uma mensagem. “Sucesso? Aguardo boas-novas.” Recebo como resposta: “Lastimável! Sem qualquer perspectiva.” O povo brasileiro está absolutamente ferrado com nossa classe política. Eles não têm a menor ideia do que estão fazendo aqui. Estão voltados só para alimentar o sistema político deles. É o varejo, buscando o atendimento de demandas dos apoiadores. Mais do mesmo. A velha política sem projetos, em que cargos são loteados com o objetivo de que determinado grupo detenha o poder.

Tudo bem que é um governo interino. Mesmo neste período, esperava severo corte de gastos, redução da máquina do estado. As medidas ainda são pífias. Além disso, tomam decisões e, depois, voltam atrás, o que demonstra fraqueza e incertezas no que estão tentando fazer. Por exemplo, já falam em recriar 2 ministérios. Pode ser que sejam ainda concessões para manter os votos dos aliados. Na área econômica, o mercado já está ficando meio desconfiado. Precisamos de segurança para que a credibilidade seja restaurada, condição indispensável para recebermos os investimentos externos necessários à nossa recuperação. Mantendo o otimismo, espero que, depois do impedimento da presidente, o governo tome para valer as rédeas do país e implemente as medidas necessárias, as quais já sabemos de cor.

O desconhecimento dos conceitos de gestão estão presentes amplamente. Tive oportunidade de visitar municípios de Minas próximos à nossa fazenda, no momento em que candidatos se mobilizavam para concorrer a prefeituras. Li alguns programas de governo. Uma lástima, parecem árvores de Natal. Penduram tudo sem a menor ideia do que é possível fazer, principalmente em termos orçamentários. Dependentes do Fundo de Participação dos Municípios, bastante limitado, para que colocar no papel itens que não serão feitos? O pior é que não fazem diagnóstico dos problemas, mesmo que precário. Detive-me no exame do que propunham na área de educação. Relacionam itens como: fazer convênios para aquisição de veículos escolares; mobiliário para as escolas conforme necessidades (há necessidades?); capacitar docentes para a melhoria da qualidade do ensino (em quais matérias?).

Incidentalmente, em um município, o resultado alcançado no Ideb/2013 foi superior à meta proposta ao munícipio e também à meta do país. Ou seja, os docentes são capazes e estão cumprindo a missão além do esperado. Capacitar docentes é sempre importante, mas deve ser para um fim específico. Há também candidatos em vários níveis que prometem dialogar com a população para descobrir o que deve ser feito. Passam o mandato nessa enrolação e nada realizam. Felizmente, 6 candidatos (é muito pouco!) procuraram o Instituto Aquila para aprender conceitos de gestão e fizeram o Curso Gestão para Melhoria de Resultados. Tenho a certeza de que estes saberão fazer um diagnóstico, identificar problemas (resultados indesejáveis e/ou itens prioritários para o população não atendidos), priorizá-los em função do orçamento, construir planos de ação e gerenciá-los adequadamente para atingir os resultados planejados. Se forem eleitos, vamos nos certificar se conseguiram, de fato, aplicar os conceitos.

 José Martins de Godoy
181 – 26/08/2016

José Martins de Godoy, engenheiro pela UFMG, dr. engenheiro pela Norges Tekniske Hogskole, ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG, cofundador do INDG, instituidor e integrante do Conselho de Administração Superior da Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila. Visite www.blogdogodoy.com

Disponível em: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=1500#.V72OLfkrLIU

Eles não têm sapatos

Eles não têm sapatos

 

Vale lembrar: um fabricante de sapatos enviou um vendedor a certa região, com a finalidade de negociar seus produtos. Como o vendedor era pessimista, relatou ao empresário que não havia chance de vendas, pois o pessoal da região não usava sapatos. Renitente, o fabricante enviou outro vendedor. Este, otimista, informou animado que havia grande chance de vendas, pois o pessoal não tinha sapatos.

 

O que aconteceria se o presidente de um grupo estrangeiro enviasse uma pessoa ao Brasil para verificar possibilidades de aqui investir? Julgo que analisaria alguns dados do país e relataria: o IDH é o 75º entre 188 países; é um dos piores em matemática e ciências, ocupando a 133ª posição entre 139 países (ranking do Fórum Econômico Mundial). Cerca de 30% das pessoas são analfabetas funcionais, o que é um grande entrave ao progresso; o desemprego atingiu 11,4 mi de pessoas; parece que há uma guerra civil, pois 60 mil pessoas foram assassinadas e 43 mil morreram no trânsito, em 2015; a competitividade é baixa, é o 57º lugar entre 62 países; a contribuição da indústria para o PIB é de cerca de 10%, sendo que já foi de 19%; a dívida pública só aumenta e está perto de R$ 3 trilhões; a infraestrutura é inadequada, dificultando o escoamento da produção; a carga tributária é muito elevada, em vista do retorno do governo em serviços públicos; a regulação do trabalho é obsoleta e representa obstáculos à atividade econômica; a burocracia é infernal; a corrupção é endêmica; o país está relativamente isolado. Faz parte do Mercosul, que é uma fantasia. Tem apenas 3 acordos bilaterais, com Israel, Palestina e Egito, enquanto o Chile, por exemplo, tem 57 acordos; o peso do estado é gigantesco; não há lideranças políticas confiáveis; a segurança jurídica e o direito de propriedade não inspiram confiança aos investidores externos; uma camada da população tem aversão ao capital externo; um grupo político afirma que a nação está dividida entre nós e eles. Concluindo, o enviado, uma pessoa realista, informaria: sem chances de êxito na obtenção de resultados no país. O risco é muito elevado.

 

Persistente, o presidente resolve enviar uma outra pessoa com o mesmo objetivo. Afinal, o Brasil é a 9ª economia do mundo (já foi a 7ª) e deve ter alguma coisa a explorar. Esse enviado poderia ter a seguinte visão: a liquidez mundial está elevadíssima. Se houver credibilidade, acompanhada de estabilidade política, segurança jurídica e respeito a contratos, como vem sendo apregoado, recursos internacionais em abundância podem ser carreados para o país. Afinal, pagam-se as melhores taxas do mundo; o desemprego está elevado, logo existe muita gente para trabalhar; fala-se em venda de estatais e realização de concessões, o que demanda recursos externos. Isso traria o benefício de diminuir o tamanho do estado e melhoria da administração pública. O emissário também notaria um grande esforço no combate à corrupção. Como um milagre, surgiu um juiz que está dando esperanças aos brasileiros com relação ao tema, embora alguns magistrados comecem a impedir o surgimento de juízes semelhantes. Fala-se em reformas que poderão contribuir para o combate à inflação e endividamento público. Fala-se até em limitar os gastos públicos por meio de lei aprovada pelo Congresso. Ora, se tudo caminhar bem, o país poderá entrar nos eixos. Então, seria possível aos governantes cuidar dos clássicos deveres do estado: educação, saúde, infraestrutura e segurança. Já se destinam razoáveis recursos para educação e saúde, a posição do país não é tão ruim. Mas falta gestão focada na melhoria dos resultados. Com uma postura crítica, mobilização da sociedade e aplicação de gestão haveria avanços na área da segurança. Assim, o futuro não estaria perdido. O emissário, com um olhar mais otimista, diria que há grandes chances de sucesso na região. Recomendaria: aguarde 2 meses, porque muita coisa boa deve acontecer.

José Martins de Godoy
179 – 22/07/2016

 

Fonte: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=1460#.V5C1KPmAOko. Disponível em 21/07/16.

Combatendo a desonestidade

Combatendo a desonestidade

Parti pris é inaceitável. Na Justiça do Trabalho, não deveria haver a presunção de que empregadores são exploradores. Admito que há pessoas que constituem empresas de todos os tipos: de fachada, que permitem o trabalho escravo, que não recolhem os tributos pertinentes, entre outros. Mas a grande maioria tem finalidade meritória, cumprindo com todas as obrigações. Luta para manter empregos, paga os salários e encargos, está sujeita às oscilações do mercado e incertezas. Assim, a Justiça deveria ter a postura de separar o joio do trigo. Em países avançados, o empresário é visto de maneira diferente. Em tentativas que fizemos de abrir filiais no exterior, fomos muito bem recebidos, tratados com pompa e circunstância. Afinal, estaríamos criando empregos, recolhendo tributos, contribuindo para o crescimento da economia. Empresas de consultoria e de tecnologia, por sua natureza, trabalham com pessoas de nível universitário, fluentes em idiomas, com especializações, mestrado e doutorado. Essas pessoas sabem muito bem o que querem, têm muito claras as suas preferências sobre a forma de trabalhar.

Querem escolher projetos e locais de trabalho, ter autonomia, negociar remuneração, ter carga de trabalho variável, ou seja, preferem trabalhar como pessoa jurídica(PJ), em parceria. O regime CLT lhes é incompatível. O contrário do listado acima é tudo que elas não querem. Na empresa de consultoria em que fui sócio até 2011, tínhamos ambos os regimes, CLT e parceria (que a Justiça chama de terceirização). Jovens trainees aceitavam incialmente ser CLT. Logo que alcançavam níveis de especialização pediam para ser parceiros, pelas características acima expostas e, principalmente, pela remuneração. Suponhamos que se tenha a soma de 240 mil reais para determinado projeto/ano. O parceiro pode receber em média cerca de 20 mil/mês. Recolhe 15% de tributos, 3 mil reais, e embolsa 17 mil. Já o CLT recebe cerca de 13 mil reais de salário (a diferença dos 20 mil é para cobrir os encargos sociais do empregador). Ele recolhe INSS e IR, recebendo líquido cerca de 9 mil reais. Recupera uma parte nas férias e com FGTS. Mas, convenhamos, é bem diferente dos 17 mil acima mostrados, além das regalias listadas. Se fosse paga a mesma quantia mensal a uma PJ e a um CLT, estaríamos explorando a PJ.

Tivemos parceiros de 1986 a 2003. A partir daí, notamos que os trabalhos em parceria começaram a ser combatidos pelo governo. Mesmo assim, ainda caímos na armadilha. De próprio punho, os técnicos assinavam o pedido para serem parceiros e apontavam os motivos por essa preferência, vários deles acima elencados. Pensamos que eram pessoas honestas e iriam cumprir o acordado. A principal razão de procedermos assim era manter as pessoas satisfeitas e motivadas. Não havia nenhum benefício para a empresa, pois o custo era o mesmo em ambos os regimes. Para nossa surpresa, alguns desonestos romperam a parceria e entraram com reclamatórias trabalhistas. Formularam processos repletos de inverdades, volumosos, com 2 mil páginas, por exemplo, para dificultar o julgamento, contribuindo assim para que a Justiça esteja abarrotada de processos. Juízes não têm tempo de ler tais calhamaços. Baseiam-se nas audiências e funciona a postura protecionista ao falso empregado. Por isso, tomamos a decisão de, a partir de 2007, só admitir pessoas no regime CLT. Não se pode confiar em pessoas desonestas que procuram usufruir do melhor dos 2 mundos: ganham muito dinheiro como parceiros e depois buscam vínculo empregatício.

Nas audiências, essas pessoas, de alta qualificação, com postura de exploradas, querem parecer dignas de dó. As defesas lutam para demonstrar a improcedência das reclamatórias, com fatos e riqueza de dados, sem sucesso. Seria fácil desmascarar os reclamantes, bastando que juízes, sem ideias preconcebidas, não encampassem seus embustes. Um deles é dizer que foram obrigados a ser parceiros. Há poucas, mas honrosas e exemplares sentenças contrárias aos engodos. Julgo que essa deveria ser a atitude justa, pois a desonestidade precisa ser duramente combatida. A Justiça faria jus à sua representação por uma estátua, com olhos vendados, significando que todos têm iguais garantias legais ou iguais direitos. Deveria ser imparcial.

José Martins de Godoy
175 – 27/05/2016

Fonte: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=1349#.V0WN-vkrLIU. Disponível em 25 de maio de 2016.

José Martins de Godoy, engenheiro pela UFMG, dr. engenheiro pela Norges Tekniske Hogskole, ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG, cofundador do INDG, instituidor e integrante do Conselho de Administração Superior da Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila. Visite www.blogdogodoy.com

Blog do Prof. Godoy

Blog do Prof. Godoy

Professor Godoy,  Coinstituidor e conselheiro da FDG, lançou recentemente o Blog do Godoy com postagens de sua autoria.
Clique abaixo para acessar a página, conheça um pouco mais sobre este homem visionário e desfrute dos textos sempre muito bem escritos a respeito dos diversos assuntos de interesse comum.
No canto direito do blog é possível acessar também outros canais onde o professor atua, como o site da Editora Libretteria, Instituto Áquila, Agropecuária São José e a própria FDG.
 Curta, compartilhe e divulgue o blog!

Blog do Godoy