Motivos para otimismo

Motivos para otimismo

Em recente palestra, o ministro Henrique Meirelles discorreu sobre os logros de sua gestão, como redução da inflação, para valor menor que o centro da meta, e da taxa de juros, a mais baixa desde 1986, bem como a retomada do crescimento e da geração de empregos. Assinalou que as reformas já realizadas, como a trabalhista, começam a produzir efeitos, facilitando a geração de empregos. 
Constato com satisfação a drástica diminuição das demandas. Até há pouco, era possível, sem custos e consequências, arrolar uma série de mentiras e ajuizar demandas contra empregadores. Paternalista, a Justiça do Trabalho sempre dava guarida a tais pleitos. Reconheço que a Lei da Terceirização veio contribuir para a melhoria das relações trabalhistas: estabeleceu um freio na desonestidade de pessoas contratadas como autônomas, para realização de tarefas específicas, que, depois, em desrespeito aos contratos, pediam vínculo empregatício. 
O ministro ainda salientou que muito precisa ser feito, como a reforma da Previdência, essencial para a redução dos gastos do Tesouro e para a supressão de privilégios. Enumerou as possibilidades de privatizações. Torço para que aconteçam integralmente. É essencial diminuir a máquina estatal, reduzindo as brechas para suborno e negociata de cargos.
Há motivos para otimismo, não fossem fatores subalternos. O combate à corrupção deveria ser obsessão de todos: é uma praga que apequena a nação. O Supremo, por exemplo, envereda-se para o ativismo judicial, sendo as ações de alguns ministros pautadas por comprometimentos político-partidários. A Lava Jato já sentenciou muita gente, mas o STF, até agora, ninguém. É um absurdo um ministro pedir vistas de um processo sobre o foro privilegiado, depois de 8 a 0 pela sua restrição. Absurdo maior poderá ser a revisão da prisão de sentenciados em segunda instância.
De resto, há o protagonismo dos políticos. Em ano eleitoral, quais vão apoiar reformas e privatizações? É evidente que seus interesses falam mais alto. Para fazer média com eleitores desavisados, o país que se dane. 

 

José Martins de Godoy
207 – 05/03/2018

 

Disponível em http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=2163#.Wrzgyi7wbIU. Acessado em 29/03/18.

A atividade de consultoria

A atividade de consultoria

Muitos técnicos de alto nível se aposentam e se transformam em consultores. Muito justo, pois têm significativo conteúdo e respeitável experiência. Mas a alta taxa de desemprego tem feito com que muitos se aventurem neste mister. Esse pessoal, juntamente com os técnicos que já militam na consultoria, constitui um número alarmante de “consultores”, improviso que causa certo descrédito à atividade pela produção de resultados insatisfatórios.
Na área de gestão, já faz mais de 30 anos que iniciamos um movimento para a melhoria da qualidade e da produtividade. Assim, os fundamentos são um conhecimento bastante difundido e há vários livros-textos disponíveis. Muitas empresas já alcançaram níveis elevados em gestão, sendo, é claro, que a melhoria contínua deve ser perseguida, assim como a redução de custos. Porém, os problemas que se apresentam, diferença do nível atual para aquele desejado, são bastante exigentes. Reclamam comprovada competência analítica para encontrar as causas que podem propiciar as melhorias, vivência no ataque às causas e, sobretudo, perseverança. Outra faceta que deve ser entendida é que os problemas são multidisciplinares, exigindo complementaridade. Há instituições que podem prover esta expertise, entre as quais, o Instituto Aquila de Gestão e a Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), esta dedicada à gestão educacional.
A melhor maneira de selecionar uma empresa de consultoria é informar-se sobre os resultados já obtidos. Também são importantes a experiência da equipe em trabalhos no país e no exterior e o tempo de vinculação dos seus técnicos. Se há rotatividade, torna-se mais difícil o trabalho em equipe e a complementaridade. Outro item importante é a questão dos honorários: a boa consultoria especifica valores compatíveis com os desafios, não transige e não dá descontos. Da minha experiência, o que mais contribui para o acerto na contratação é a indicação. É muito comum um empresário sugerir uma consultoria que lhe prestou um bom trabalho a outro empresário que precisa melhorar seus resultados.

 

José Martins de Godoy
206 – 05/02/2018

 

Disponível em: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=2133#.Wnw3q66nHIU. Acessado em: 08/02/18.

COMPETIVIDADE DA INDÚSTRIA SIDERÚRGICA

COMPETIVIDADE DA INDÚSTRIA SIDERÚRGICA

O Brasil é o 79º na competividade internacional e é um dos países mais difíceis para se fazer negócios, sendo o 125º entre 190 países. Sendo a 9ª economia mundial, pareceria que os dados acima são incompatíveis com a realidade. A indústria siderúrgica mundial tem capacidade de produção muito superior à demanda. Para que um país conquiste mercados tem que ser muito competitivo. A capacidade brasileira é de 49 mi/ ton; produziu apenas 30,2 mi, em 2016, pois tem baixa demanda interna (o consumo per capita é o mesmo de 1970) e não houve condições competitivas para exportar numa escala maior. Quando fui professor na Metalurgia da UFMG (fui coordenador da pós-graduação e chefe do departamento por vários mandatos), a siderurgia brasileira era competitiva: estava na vanguarda tecnológica, com equipamentos modernos e centros de pesquisas muito ativos, staffs técnicos para estudar e implementar melhorias. 
Passados alguns anos, verificamos que os chineses passaram a colocar vários tipos de aço no nosso mercado, a custos até 20% mais baixos. É claro que isto causou certa perplexidade. Veio um leque de desculpas. A mais contundente era que os trabalhadores chineses eram mal remunerados e trabalhavam num regime de quase semiescravidão. Hoje há estudos mostrando que a renda dos chineses já é superior a dos brasileiros. Como ainda são competitivos, apesar de importar minério e o custo de logística ser elevado? Nossa baixa competitividade deve-se à luta contra obsolescência dos equipamentos, ao custo exorbitante da energia, aos altos tributos (não exportamos aço, mas tributos), aos custos internos elevados, à gestão deficiente. É possível reduzir custos internos em pelo menos 20%, mas cada um julga que isto é possível no setor do outro. A maneira japonesa de atuar em termos de gestão foi a nossa escolha no passado. Depois de um hiato, retomamos recentemente contato com o Japão. Ainda existe a obsessão pela melhoria contínua e, principalmente, pela redução de custos. Aqui, para muita gente, foi uma onda que passou, um modismo. Explica-se, então, a nossa posição no cenário mundial. Pior, não se vislumbra uma reação, pois o país não tem um planejamento consistente e tampouco uma política industrial capaz de mobilizar o setor. 

 

José Martins de Godoy
204 – 08/12/2017

 

Fonte: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=2057#.WjEIulWnHIU. Disponível em 13/12/17.

Os 20 anos da FDG

Os 20 anos da FDG

José Martins de Godoy

Faz 31 anos que iniciamos, na Escola de Engenharia da UFMG, um movimento pela melhoria da gestão no Brasil. Optamos pelo modelo japonês pela sua simplicidade na implementação, não sem antes adaptá-lo às condições brasileiras. Foi um movimento avassalador. Contamos com o apoio do Japão, realizando 33 missões de executivos brasileiros e trazendo de lá dez especialistas. Em 1993, fomos reconhecidos pela União de Cientistas e Engenheiros Japoneses como o segundo movimento internacional de gestão. A iniciativa contribuiu de forma significativa para que muitas empresas brasileiras se desenvolvessem e se tornassem importantes multinacionais.

Também instituímos a Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), em 1997. Por força do então Novo Código Civil, tornamo-nos uma instituição assistencial e criamos o INDG para trabalhar para empresas e entidades.

Embora os conceitos de gestão sejam aplicáveis a qualquer área, a FDG trabalha somente na área educacional, desde 2003. Maria Helena Godoy tem se dedicado à área adaptando os conceitos à linguagem da escola, desenvolvendo tecnologia própria e fazendo sua aplicação. Detém hoje a Gestão Integrada da Educação Avançada, uma síntese desse esforço. Os projetos executados no Rio, que saiu do penúltimo lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para o terceiro, e em Manaus, a capital que mais cresceu no último Ideb, atestam a eficácia do método.

Os conceitos são de fácil entendimento. Porém, a implementação exige determinação e persistência. Gerenciar é atingir metas, resolver problemas (maus resultados).

Recentemente, fizemos uma mudança estatutária e temos a intenção de levar a gestão educacional ao maior número possível de instituições. Temos tecnologia comprovada, que não pode ficar restrita a um universo reduzido. Entendemos que só a educação pode tirar o país do estado em que se encontra. Só um povo educado e instruído tem discernimento de que devemos, entre outras medidas, defenestrar líderes demagogos. Aqueles que quiserem enfrentar o desafio da melhoria da educação são bem-vindos. A excelência é o limite.


202 – 11/10/2017

José Martins de Godoy, engenheiro pela UFMG, dr. engenheiro pela Norges Tekniske Hogskole, ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG, cofundador do INDG, instituidor e integrante do Conselho de Administração Superior da Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila. Visite www.blogdogodoy.com

Fonte: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=1995#.WeJ-F1WnHIU. Acessado em 14 de outubro de 2017.

O limite da paciência

O limite da paciência

Estou desolado, desiludido, sem esperança de um futuro brilhante para o Brasil. Como foi possível chegarmos a esse ponto? Todos os dias estoura um escândalo (o do momento é a Fatura Exposta, no Rio de Janeiro), como resultado de falcatruas em vários níveis da administração pública. A lista divulgada pelo ministro Fachin revela o grande número dos que serão investigados, pessoas importantes da nossa vida pública. Na fazenda, existe o ditado: quando o patrão se assenta, o camarada deita. Fazendo uma analogia: quando os altos dirigentes da República cometem os ilícitos noticiados, os maus exemplos são disseminados amplamente. A situação do Rio é de calamidade: Sérgio Cabral e sua gangue tomaram o estado de assalto. É insuportável constatar que o país está sendo gerenciado por Renans, Eunícios, Jucás, Padilhas, Moreiras, Kassabs, entre outros. Não entendo como o presidente Temer mantém ministros sobre os quais há reiteradas denúncias. Veremos agora como vai proceder, uma vez que seis dos atuais serão investigados. Lembro-me que o presidente Itamar Franco afastou um de seus ministros que fora denunciado. Quando o ministro provou sua inocência, voltou ao posto.

Considero o atual procedimento um deboche, um desrespeito ao povo brasileiro.
O execrável, famigerado, indecente foro privilegiado é a razão deste estado de coisas. Constata-se que há cerca de 33 mil pessoas nesta situação (uma concepção da democracia brasileira!), enquanto na China há cerca de 2.500 (compreensível pela característica do regime chinês) e, nos Estados Unidos, zero. Parece que procede a história de que Deus presenteou o Brasil com muitos recursos e belezas naturais, sem terremotos, vulcões, furacões. Em compensação, deixou aqui alguns políticos (há poucas exceções) da pior índole. O foro privilegiado é a criação dessas brilhantes cabeças. Haja vista a tentativa recente de acabar com essa excrecência. Conseguiu-se número mais que suficiente para votar a PEC relativa ao assunto, em regime de urgência, mas o Eunício, vulgo Índio na definição de doadores de propinas, faz operação tartaruga na tramitação da matéria. Isto interessa a um grande número de parlamentares e integrantes do Executivo, encalacrados até o pescoço em denúncias de práticas corruptas. Como a morosidade é a tônica do STF, este é o melhor dos mundos para os delinquentes protegidos. Com isto, sentem-se seguros, pois reconhecem que ficarão impunes.

Para coroar o processo de impunidade que poderia advir da punição de determinados candidatos nas próximas eleições, sábios congressistas pretendem aprovar uma reforma eleitoral em que, ao eleitor, seriam apresentadas listas fechadas organizadas pelos partidos. A votação passaria a ser no partido. É claro que as listas seriam organizadas pelos mesmos caciques envolvidos nas denúncias tão conhecidas. É o famoso jeitinho, tão reprovável e indecente, de continuar participando da casta do foro privilegiado.

Outra iniciativa para a manutenção do poder é a rejeição da reforma da Previdência. Os demagogos que se dizem defensores dos trabalhadores são contra a maioria das propostas. Ora, com a expectativa de vida no país aumentando, a população envelhecendo e a taxa da natalidade diminuindo, haverá um momento a partir do qual existirá mais gente aposentada do que trabalhando. Restará rezar aos céus para poder pagar os aposentados. Se a reforma não for aprovada, estaremos na contramão da história, se compararmos com muitos países desenvolvidos. Gostaria de enfatizar que trabalho é vida. Manter-se ocupado é um privilégio para poucos. Depois que me aposentei na UFMG, realizei muita coisa no campo empresarial e continuo muito ativo, até mais do que gostaria. E quantos têm a mesma oportunidade que eu tive? Aposentar-se mais cedo para ver a vida passar e esperar o fim?

Em suma, um grupo eclético de parlamentares de várias legendas maquina para a manutenção do poder, em desfavor na nação. Com isso, não se trabalha para a recuperação econômica e enfrentamento dos problemas cruciais do país, condenando-nos ao atraso e subdesenvolvimento.

 José Martins de Godoy
195 – 21/04/2017

Fonte: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=1800#.WQKIa1XyvIU. Disponível em 27 de abril de 2017.

José Martins de Godoy, engenheiro pela UFMG, dr. engenheiro pela Norges Tekniske Hogskole, ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG, cofundador do INDG, instituidor e integrante do Conselho de Administração Superior da Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila. Visite www.blogdogodoy.com

Prof. Godoy é agraciado pela ADCE Minas com prêmio de Responsabilidade Social Empresarial

Prof. Godoy é agraciado pela ADCE Minas com prêmio de Responsabilidade Social Empresarial

 ADCE Minas entrega o 5º Prêmio de Responsabilidade Social Empresarial 2016 ao presidente do
Conselho do Instituto Aquila, José Martins de Godoy

Discurso-de-Jose-Martins-GodoyDiscurso de José Martins de Godoy

 Engenheiro metalurgista pela UFMG e Doktor Ingeniör pela Norges Tekniske Hogskole, na Noruega, José Martins de Godoy foi professor titular, coordenador do curso de pós-graduação e chefe do departamento de engenharia metalúrgica da UFMG por vários mandatos. Foi também diretor da Escola de Engenharia da UFMG, superintendente e diretor da Fundação Christiano Ottoni (FCO), constituidor, presidente e conselheiro da Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), co-fundador e presidente do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG) (2003 a 2010). Atualmente é presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila, consultoria internacional que oferece soluções gerenciais de excelência global, focadas na melhoria dos resultados de seus clientes.

Em sua extensa carreira, foi responsável por centenas de convênios e contratos internacionais de pesquisa de metodologias de qualidade e gestão para disseminação no Brasil e recebeu diversas homenagens como a Medalha da Inconfidência, Medalha Santos Dumont, Soldado Ilustre (12º. BI) e Cidadão Honorário de Belo Horizonte.

O Prêmio ADCE Minas, criado em 2012, é uma homenagem que visa prestar um tributo aos dirigentes de empresas que enaltecem os valores da ADCE e que dignificam as relações empresariais em todos os níveis, sempre preocupados com a centralidade do ser humano como protagonista da sociedade.

Para o presidente da ADCE Minas, Sérgio Frade, a escolha do professor Godoy se deve à sua trajetória de vida iniciada no campo educacional, tendo prestado relevantes serviços em prol do ensino, da cultura, da excelência empresarial. “É uma justa e merecida homenagem a quem dedicou anos de sua vida em prol de inúmeras causas com visão cristã”.

Para Godoy, a homenagem concedida pela ADCE reforça o compromisso social que sempre esteve pautado em sua trajetória. “Em toda a minha carreira eu sempre busquei inserir no meu trabalho os fundamentos básicos cristãos, que incluem a ética, o respeito e a valorização do próximo e isso, para mim, está diretamente relacionado à responsabilidade social. Esse reconhecimento me emociona e eu sou muito grato à ADCE pela homenagem”.

A homenagem ocorreu durante o jantar anual de confraternização de Natal da entidade, no último dia 06 de dezembro, no restaurante do PIC Cidade, com a participação de mais de 100 associados, convidados e autoridades.

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José Martins de Godoy, Sérgio Frade e Sérgio Cavalieri

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Sérgio Frade, José Martins de Godoy, Maria Helena Godoy e Maria Flávia Máximo

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Denise Frade, Sérgio Frade, José Martins de Godoy e Maria Helena Godoy

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José Martins de Godoy com os filhos, genros e nora

                        

Fotos: Wagner Diló Costa

Fonte: http://newsletter.adcemg.org.br/accounts/30938/messages/528?email=fdg@fdg.org.br&c=1481547772&contact_id=114. Disponível em 14/12/2016.

A luta pelo equilíbrio fiscal

A luta pelo equilíbrio fiscal

Uma família, uma empresa, um país não podem gastar mais que arrecadam. Infelizmente, esta não é a realidade que vivenciamos no Brasil. As consequências podem ser graves: a família entra em colapso, a empresa vai à falência e o país perde a credibilidade e dá o calote. Nas entidades de que participei, duas fundações e uma empresa de consultoria e três editoras, tive como princípio o rígido cuidado com o caixa e o controle dos gastos, conseguindo sempre significativos superávits. Os empreendimentos foram autossustentáveis e nunca foi necessário recorrer a empréstimos bancários ou atrasar compromissos. Na condução da consultoria, as equipes trabalhavam nas empresas assistidas, não sendo preciso dispor de escritórios espaçosos para acomodar ditas equipes. Apenas espaço para administração, treinamentos e relacionamento com clientes. Optei por escritórios sóbrios, espartanos, sem luxo, dando demonstração de que itens supérfluos não agregam valor. Preferi destinar quantias significativas para remunerações, formação e desenvolvimento dos recursos humanos. Afinal, em qualquer área de atuação, não se consegue sucesso sem excelentes equipes.

No momento, constatamos que as finanças do país estão caminhado para o colapso. Em artigo escrito há meses, disse que o endividamento caminhava célere para atingir 3 trilhões de reais no fim do ano. Já ultrapassou esta soma e pode chegar a 3,3 trilhões até dezembro. A maioria dos estados está endividada, vide Rio e Minas. É produto da gastança desenfreada, da irresponsabilidade gerencial, inobservância da LRF. Grande parte dos recursos destina-se à remuneração de servidores, devido ao empreguismo descontrolado. Em sã consciência, precisaria da PEC 241? Ora, os gestores políticos deveriam ser fiéis condutores do orçamento, respeitando a realidade de que as despesas não podem ultrapassar as receitas. Mas no Brasil não é assim. Nesta toada, caminharíamos para o caos total e o calote. A PEC 241 vai impedir o crescimento dos gastos, limitando-os aos do ano anterior, acrescidos da inflação. É incrível que o conceito cristalino de equilíbrio de receitas e despesas necessite de lei específica para ser cumprido. Parece que a PEC vai ser aprovada. Só se espera que, realmente, seja obedecida. Na teoria, impedirá reajuste de remuneração de servidores; criação de cargo, emprego ou função que implique aumento de despesa; admissão ou contratação de pessoal, a não ser em caso de reposições de cargos de chefia e de direção que não acarretem aumento de despesa; realização de concurso público, exceto para as reposições de vacâncias; criação de despesa obrigatória; criação ou expansão de programas e linhas de financiamento; concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária. É importante ressaltar que atinge todos os poderes.

Os opositores à medida, munidos de um leque de mentiras, argumentam, entre outros, que a redução dos gastos vai prejudicar os programas sociais e as áreas de educação e saúde. Que julgam eles? Que a escalada da dívida pública deva continuar sem controle? É claro que, no início, todos apoiavam a destinação de recursos para combater a fome e a pobreza extrema. Esperavam-se, contudo, programas complementares que viessem capacitar as pessoas e encaminhá-las a empregos. Como os programas sociais se tornaram permanentes e mecanismo de manutenção de determinado grupo no poder, é preciso que sejam revistos. Além disso, já foram constatadas muitas fraudes na sua execução. Quanto às áreas de educação e saúde, julga-se que mais recursos não vão mudar o quadro. O que falta é gestão. Não há foco na solução dos problemas. Sequer há identificação dos reais problemas e as causas fundamentais que os acarretam. Onde há um esforço sério de aplicação da gestão na educação, por exemplo, tem-se importante melhoria dos resultados. Haja vista a cidade de Manaus, que deu um show no último Ideb, sem o aporte de recursos adicionais. Enquanto continuarem perdidos, sem focar nos problemas prioritários, o paliativo é culpar a falta de recursos pelos trágicos resultados nas citadas áreas.

José Martins de Godoy
187 – 25/11/2016

José Martins de Godoy, engenheiro pela UFMG, dr. engenheiro pela Norges Tekniske Hogskole, ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG, cofundador  do INDG, instituidor e integrante do Conselho de Administração Superior da  Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila. Visite www.blogdogodoy.com

Fonte: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=1629#.WDwbx7IrLIU. Disponível em 28/11/16.

A tragédia do ensino público

A tragédia do ensino público

Os resultados do Ideb/2015 mostram a tragédia que é o ensino público brasileiro. O ensino médio e fundamental 2 não atingiram as metas definidas para o exercício em pauta. No meu julgamento, falta o entendimento de quais itens são realmente importantes para produzir bons resultados. É óbvio que não basta criar slogans do tipo Pátria Educadora e fazer exortações para atingir melhores resultados. Também não é suficiente estabelecer metas (já foi um grande avanço, pois antes a palavra meta era considerada um palavrão na área educacional), é preciso ensinar “como atingir as metas”. O pulo do gato é a gestão focada em resultados.

Há exceções nesse universo trágico. Merece destaque o que foi conseguido pelo estado do Ceará. Entre as 100 melhores escolas públicas do país, 77 são do Ceará. No ensino fundamental 1 e fundamental 2, as 10 primeiras e 5, entre as 10 primeiras, respectivamente, são daquele estado. O que aconteceu? Julgo que a maneira de gerenciar o sistema teve forte influência. Nós lá estivemos implementando programas de gestão de 2001 a 2006 (com algumas interrupções durante uma mudança de governo). A Gestão Integrada da Escola (Gide), idealizada por Maria Helena P.C. de Godoy, começou a ser difundida em 2005, com a participação de todos os dirigentes da Secretaria da Educação e das escolas estaduais. Foi um movimento avassalador, tendo a aprovação de 98% dos dirigentes envolvidos. Continuamos acompanhando à distância a forma de atuação dos responsáveis pela gestão do ensino no estado. Vários deles são pessoas formadas naquele processo inicial e, no nosso entendimento, nunca deixaram de perseguir as metas de melhoria.

Outro destaque é a cidade de Manaus. O Instituto Aquila conduz, naquela cidade, um projeto que abrange cerca de 450 escolas na implementação da Gide. O ensino fundamental 2 era o mais crítico. A forte liderança do prefeito e da secretária de Educação, com grande envolvimento dos demais dirigentes e docentes, fez com que Manaus fosse a cidade que mais crescesse no país no Ideb/2015. O fundamental 2 deu um salto significativo. A revista Exame, na edição de 28/9/2016, numa reportagem de 5 páginas, sob o título Como Manaus passou de ano, narra este feito excepcional da capital do Amazonas. É uma prova cabal de que a gestão focada em resultados, conduzida por liderança comprometida, persistente e laboriosa e participação de assistência técnica competente, realmente funciona. É claro que é necessário abordar as causas fundamentais que impedem o atingimento das metas. E isso a Gide e as pessoas que a implementam sabem muito bem fazer.

Outro exemplo edificante é a Escola Estadual Gomes Carneiro de Porto Alegre. Conseguiu atingir a melhor média no Enem, entre as escolas estaduais do país. Como a maioria das escolas, tem muitas carências, falta de verbas (neste particular, o Brasil não está mal posicionado entre os países da OCDE. Ocupa o 15º lugar; porém, há desequilíbrio na destinação dos recursos pela falta de foco em que investir), instalações precárias, conforme foi mostrado em reportagem realizada na escola e mostrada para todo o país. Apesar de tudo, os dirigentes e docentes não esmoreceram e produziram esse milagre. É interessante notar que se concentraram nas causas normalmente encontradas em milhares de escolas da rede pública do país. A questão é definir as mais importantes, priorizá-las e implementar as contramedidas para saná-las. Dentre as causas, a mais importante é comprometimento do corpo docente e o seu empenho em conduzir as tarefas pertinentes. Isso foi o que mais chamou a atenção na Gomes Carneiro.

Quando se tem a Gide como método de trabalho, sustentada pelo Índice de Formação de Cidadania e Responsabilidade Social (IFC/RS), também idealizado por Maria Helena P.C. de Godoy, torna-se fácil buscar as melhorias. O índice possibilita diagnosticar rapidamente as causas que impedem as escolas de atingir bons resultados. Foi concebido pela observação das causas recorrentes em mais de 5.000 escolas públicas. Contando com liderança, persistência, dedicação, amor pela causa da educação (itens indispensáveis para o aproveitamento do potencial da juventude brasileira e imprescindíveis ao progresso da nação), não tem errata. É melhorar ou melhorar.

José Martins de Godoy
185 – 28/10/2016

Fonte: Disponível em http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=1580#.WBMzCC0rLIU em 28 de outubro de 2016.

José Martins de Godoy, engenheiro pela UFMG, dr. engenheiro pela Norges Tekniske Hogskole, ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG, cofundador do INDG, instituidor e integrante do Conselho de Administração Superior da Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila.
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Blog do Prof. Godoy

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Professor Godoy,  Coinstituidor e conselheiro da FDG, lançou recentemente o Blog do Godoy com postagens de sua autoria.
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