A atividade de consultoria

A atividade de consultoria

Muitos técnicos de alto nível se aposentam e se transformam em consultores. Muito justo, pois têm significativo conteúdo e respeitável experiência. Mas a alta taxa de desemprego tem feito com que muitos se aventurem neste mister. Esse pessoal, juntamente com os técnicos que já militam na consultoria, constitui um número alarmante de “consultores”, improviso que causa certo descrédito à atividade pela produção de resultados insatisfatórios.
Na área de gestão, já faz mais de 30 anos que iniciamos um movimento para a melhoria da qualidade e da produtividade. Assim, os fundamentos são um conhecimento bastante difundido e há vários livros-textos disponíveis. Muitas empresas já alcançaram níveis elevados em gestão, sendo, é claro, que a melhoria contínua deve ser perseguida, assim como a redução de custos. Porém, os problemas que se apresentam, diferença do nível atual para aquele desejado, são bastante exigentes. Reclamam comprovada competência analítica para encontrar as causas que podem propiciar as melhorias, vivência no ataque às causas e, sobretudo, perseverança. Outra faceta que deve ser entendida é que os problemas são multidisciplinares, exigindo complementaridade. Há instituições que podem prover esta expertise, entre as quais, o Instituto Aquila de Gestão e a Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), esta dedicada à gestão educacional.
A melhor maneira de selecionar uma empresa de consultoria é informar-se sobre os resultados já obtidos. Também são importantes a experiência da equipe em trabalhos no país e no exterior e o tempo de vinculação dos seus técnicos. Se há rotatividade, torna-se mais difícil o trabalho em equipe e a complementaridade. Outro item importante é a questão dos honorários: a boa consultoria especifica valores compatíveis com os desafios, não transige e não dá descontos. Da minha experiência, o que mais contribui para o acerto na contratação é a indicação. É muito comum um empresário sugerir uma consultoria que lhe prestou um bom trabalho a outro empresário que precisa melhorar seus resultados.

 

José Martins de Godoy
206 – 05/02/2018

 

Disponível em: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=2133#.Wnw3q66nHIU. Acessado em: 08/02/18.

O FIM DA CRISE

O FIM DA CRISE

Fala-se menos de crise. A indústria começa a mostrar crescimento; o consumo das famílias, a aumentar; a arrecadação de tributos, a subir. As vagas estão aparecendo, diminuindo lentamente o desemprego. São sinais de saída da recessão e recuperação da economia, mostrando um pequeno PIB positivo. A taxa de juros é a menor dos últimos 30 anos, desta vez, diferentemente da redução promovida artificialmente pelo governo anterior. Este patamar pode ser o motor para a retomada de um crescimento vigoroso e duradouro, de maneira que 2018 promete ser virtuoso.
O Brasil é um país surpreendente. Apesar do Executivo claudicante e infestado de personagens corruptas; do Legislativo considerado o pior da história, com muitos integrantes denunciados; e do Judiciário confuso e com divergências gritantes, o país caminha. A trancos e barrancos, a reforma trabalhista saiu e vai ser extremamente importante para aumentar a empregabilidade. A reforma da Previdência deverá ser aprovada. Será fundamental para o equilíbrio das contas públicas, uma vez que a dívida já está rondando 100% do PIB. Temer acaba sendo um bom gestor, embora pague elevado preço pelo apoio às reformas.
Tenho grandes esperanças para 2018. O Brasil pode começar a deslanchar se elegermos um presidente razoável, com um passado ilibado, e um Congresso sem as figuras carimbadas, principalmente as sabidamente corruptas. Julgo que a corrupção será combatida permanentemente, pois, agora, já se entendeu que a impunidade não é mais soberana.
Um governo mais firme e previsível poderá garantir que regras sejam cumpridas, encorajando investimentos internos e externos. Não tem cabimento, por exemplo, o que aconteceu com o Aeroporto de Confins. Depois de a concessionária realizar investimentos de ampliação e modernização, seria impensável permitir que o Aeroporto da Pampulha voltasse a operar voos de grande porte.
Todavia, a condição sine qua non para manter a expectativa é não haver a possibilidade de que Lula retorne ao governo.

Somos chamados à santidade

Somos chamados à santidade

A ministra mineira do STF apequenou-se e defendeu uma tese que fora antes combatida pelo senador afetado pelo julgamento. O tribunal ficou desmoralizado e essa decisão vai trazer consequências funestas nos futuros relacionamentos institucionais. Por essa e outras razões, decidi não mais assistir a noticiários pela TV, para não me inteirar dos detalhes sórdidos das práticas brasilienses. Para não ficar alienado, vejo, por alto, algumas manchetes em sites de notícias. E chega!
Para usar bem o tempo que ainda me sobra das minhas muitas atividades, tenho estudado a vida dos santos. São vidas fascinantes, inspiradoras, que nos mostram formas extremadas de amor a Deus e ao próximo.
Todos nós somos chamados à santidade, de diversas formas e circunstâncias: são Padre Pio desde criança já se “relacionava” com Jesus; são Domingos Sávio ainda menino declarou que queria ser santo; santa Teresinha compreendeu que, para ser santa, não precisava fazer coisas extraordinárias e, sim, coisas simples, com extremo amor a Cristo; são Bento desde criança manifestou um gosto especial pela oração. Levou uma vida de trabalho, recolhimento e oração, donde o lema dos beneditinos Ora et labora. Foi o estruturador da vida monástica. Conversões tardias também aconteceram: santo Agostinho até os 33 anos teve inúmeras experiências mundanas. Nas Confissões declarou: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova… Tarde te amei! Trinta anos estive longe de Deus. Mas, durante esse tempo, algo se movia …”; santo Inácio de Loyola era um cidadão do tipo capa/espada, ferido na guerra, em recuperação, leu um livro sobre a vida dos santos. Interessou-se pelo assunto e escutou o chamado dos céus. 
Julgo que, para ser santo, ações simples e honestas podem ajudar. Pelo lema Ora et labora, compreendemos que não é necessário nos isolarmos do mundo para começar a viver a santidade. É imperioso amar a Deus incondicionalmente e dar graças pelo dom e milagre da vida e por tudo que recebemos. Uma coisa é certa! Sem praticar a caridade ninguém chega lá.

José Martins de Godoy
203 – 01/11/2017

José Martins de Godoy, engenheiro pela UFMG, dr. engenheiro pela Norges Tekniske Hogskole, ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG, cofundador do INDG, instituidor e integrante do Conselho de Administração Superior da Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila. Visite www.blogdogodoy.com

Disponível em: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=2030#.Wgly9VtSzIU. Acessado em 13/11/17.

Os 20 anos da FDG

Os 20 anos da FDG

José Martins de Godoy

Faz 31 anos que iniciamos, na Escola de Engenharia da UFMG, um movimento pela melhoria da gestão no Brasil. Optamos pelo modelo japonês pela sua simplicidade na implementação, não sem antes adaptá-lo às condições brasileiras. Foi um movimento avassalador. Contamos com o apoio do Japão, realizando 33 missões de executivos brasileiros e trazendo de lá dez especialistas. Em 1993, fomos reconhecidos pela União de Cientistas e Engenheiros Japoneses como o segundo movimento internacional de gestão. A iniciativa contribuiu de forma significativa para que muitas empresas brasileiras se desenvolvessem e se tornassem importantes multinacionais.

Também instituímos a Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), em 1997. Por força do então Novo Código Civil, tornamo-nos uma instituição assistencial e criamos o INDG para trabalhar para empresas e entidades.

Embora os conceitos de gestão sejam aplicáveis a qualquer área, a FDG trabalha somente na área educacional, desde 2003. Maria Helena Godoy tem se dedicado à área adaptando os conceitos à linguagem da escola, desenvolvendo tecnologia própria e fazendo sua aplicação. Detém hoje a Gestão Integrada da Educação Avançada, uma síntese desse esforço. Os projetos executados no Rio, que saiu do penúltimo lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para o terceiro, e em Manaus, a capital que mais cresceu no último Ideb, atestam a eficácia do método.

Os conceitos são de fácil entendimento. Porém, a implementação exige determinação e persistência. Gerenciar é atingir metas, resolver problemas (maus resultados).

Recentemente, fizemos uma mudança estatutária e temos a intenção de levar a gestão educacional ao maior número possível de instituições. Temos tecnologia comprovada, que não pode ficar restrita a um universo reduzido. Entendemos que só a educação pode tirar o país do estado em que se encontra. Só um povo educado e instruído tem discernimento de que devemos, entre outras medidas, defenestrar líderes demagogos. Aqueles que quiserem enfrentar o desafio da melhoria da educação são bem-vindos. A excelência é o limite.


202 – 11/10/2017

José Martins de Godoy, engenheiro pela UFMG, dr. engenheiro pela Norges Tekniske Hogskole, ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG, cofundador do INDG, instituidor e integrante do Conselho de Administração Superior da Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila. Visite www.blogdogodoy.com

Fonte: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=1995#.WeJ-F1WnHIU. Acessado em 14 de outubro de 2017.

Aprendendo a gerenciar

Aprendendo a gerenciar

Meu pai era uma pessoa à frente do seu tempo. Sabiamente, apesar de eu ser o filho mais velho, encaminhou as filhas para estudar antes de mim. Com dificuldades financeiras e tantas coisas a fazer, permaneci na fazenda até quase completar 15 anos e comecei a ajudar nos afazeres com cerca de 8 anos. Meu pai era grande gestor e percebeu que, mesmo na fazenda, eu deveria desenvolver muitas habilidades. Então, prescreveu um leque amplo de atividades, com uma agenda bem definida: preparar comida para os porcos, atender no armazém, organizar o manejo de pastos para gado, entre outras. Nos intervalos, tinha que estudar, autodidaticamente, as matérias de admissão ao ginásio. Havia também no programa diário um jogo de futebol de 35 minutos. Ao cair da noite, as sagradas orações diárias. Ele era também um rígido cobrador das tarefas.

Isso foi muito importante para meu futuro como administrador: aprendi a ter visão global das coisas, não negligenciar atividades, conduzi-las todas de acordo com o estabelecido. Isso faz com que se adquira a habilidade multitarefas – há pessoas que só conseguem cuidar de uma coisa por vez; são as chamadas de one-track mind –, a ter mais responsabilidade pelas obrigações.

Não frequentei a escola primária. Tive as primeiras letras pela minha querida mãe, pessoa bem educada, instruída, após 8 anos de colégio interno Salesiano, em Cachoeira do Campo. Aprendi também pelo método global, lendo e escrevendo no armazém as palavras feijão, arroz, fubá, macarrão, entre outras. Pelo aspecto e tamanho da palavra, eu deduzia a que se referia. Quando já estava lendo bem, desenvolvi-me rapidamente por meio de revistas em quadrinhos. Meu pai as proibia, mas quem não transgride em alguma coisa? Tinha assinaturas de algumas revistas e um conluio com o carteiro, que só as entregava a mim. Julgo até hoje que foi uma transgressão inocente (e produtiva). Em BH, frequentei algumas aulas numa escola estadual noturna e tirei o diploma do primário com nota dez. Que incrível escola dos pais! Sucesso para prosseguir os estudos e ensinamentos importantes para a vida. Não foi no Japão que aprendi as primeiras lições de gestão.

José Martins de Godoy
201 – 11/09/2017

Fonte: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=1963#.WcESqLKGPIU. Disponível em: 19 de setembro de 2017.

Esqueçamos Brasília: ao trabalho

Esqueçamos Brasília: ao trabalho

No penúltimo artigo, afirmei que havia atingido o limite da paciência. Todavia, o limite do brasileiro tem que ser elástico. A situação só piora, e o país parece derreter. Debitei ao foro privilegiado as mazelas que vêm nos assolando. Tinha a expectativa de que fosse derrogado pelo Congresso. No Senado, em segunda votação, a PEC proposta originalmente foi desfigurada. “Nossos representantes” querem mesmo o salvo-conduto para delinquir, amparados na morosidade da terceira instância. Na Câmara, tudo indica que o foro terá o mesmo desfecho. Nenhum parlamentar será preso, em vista da manutenção dos privilégios. Recentemente, com a delação de executivos da JBS, ficou demonstrado que não há exceção, a maioria encontra-se na vala comum. Agora não dá para diferenciar este ou aquele partido. É tudo igual. O espírito público e a lisura nos procedimentos são retórica de discursos.

Revisitando pronunciamentos de envolvidos, constata-se a desfaçatez. Todos os mencionados em delações negam peremptoriamente, na cara de pau, qualquer participação nos fatos narrados, dizendo que são ilações, mentiras, a fim de que os delatores tenham penas reduzidas. Como a rapinagem foi generalizada, articula-se um “acordão” para proteger a corja, inclusive sufocando a Lava Jato.

Do ponto de vista da gestão, tem-se que visar os cabeças do movimento, em consonância com a Lei de Pareto: em todo problema, poucas causas são importantes e muitas, triviais. É imprescindível cassar os nomes conhecidos, sendo desnecessário nomeá-los. São eles os grandes articuladores na luta pela manutenção deste lamentável estado de coisas. Se, por um passe de mágica, pudéssemos eliminar os líderes da corrupção, haveria uma onda moralizadora, a ponto de se construir uma consciência de que delitos como colar em provas e estacionar em local proibido são muito graves. Hoje, esses “pequenos” delitos são considerados “fichinhas” comparados ao que acontece no país, devido à promiscuidade entre os setores privado e público. Como “não há mal que nunca acabe”, fico na esperança de algum fato novo, que mude nossa realidade.

Podemos amenizar o clima: esqueçamos Brasília. Aliás, vejo bons exemplos acontecerem. O campo está dando resposta à crise, com safra recorde de grãos. A indústria de caminhões e máquinas está exportando montantes substanciais. Não obstante, muitas associações de classe e empresários ainda ficam aguardando concessões e providências do poder central. Na minha vida na universidade, trabalhamos para a indústria incessantemente e, por isso, captamos recursos para nossas atividades de ensino e pesquisa. Trabalhamos muito para governos e empresas e fomos remunerados pelo trabalho, sempre produzindo resultados além dos prometidos. Não devemos favor.

A propósito, todo povo tem o governo que merece – há controvérsias, pois acho que não merecíamos os últimos governos. Os Estados Unidos têm Trump agora. Não é que ele rompeu com o Tratado de Paris? Cabe à China, grande poluidora, tomar a liderança na condução de ações para frear as mudanças climáticas. Dando o exemplo, acaba de inaugurar a maior usina solar flutuante.

Da minha parte, também contribuo. Instalei usinas de geração de energia solar, uma na minha residência e duas na fazenda. Já tenho uma produção de 6,5 mil kWh/mês. Quando da primeira usina, em 2015, havia cerca de 400 projetos no país. Agora, quando da instalação da segunda, são cerca de 12 mil, e o custo caiu 30%. Vamos trabalhar, pessoal! Ora et labora, lema dos beneditinos. Em 2018, vamos tratar os políticos como merecem. Quanto a Trump, espero que fique isolado do concerto das nações.

José Martins de Godoy
199 – 16/06/2017

José Martins de Godoy, engenheiro pela UFMG, dr. engenheiro pela Norges
Tekniske Hogskole, ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG, cofundador
do INDG, instituidor e integrante do Conselho de Administração Superior da
Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila.
Visite www.blogdogodoy.com

Fonte:http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=1889#.WXnQr4TyvIU. Acessado em 27/07/17.

A luta pelo equilíbrio fiscal

A luta pelo equilíbrio fiscal

Uma família, uma empresa, um país não podem gastar mais que arrecadam. Infelizmente, esta não é a realidade que vivenciamos no Brasil. As consequências podem ser graves: a família entra em colapso, a empresa vai à falência e o país perde a credibilidade e dá o calote. Nas entidades de que participei, duas fundações e uma empresa de consultoria e três editoras, tive como princípio o rígido cuidado com o caixa e o controle dos gastos, conseguindo sempre significativos superávits. Os empreendimentos foram autossustentáveis e nunca foi necessário recorrer a empréstimos bancários ou atrasar compromissos. Na condução da consultoria, as equipes trabalhavam nas empresas assistidas, não sendo preciso dispor de escritórios espaçosos para acomodar ditas equipes. Apenas espaço para administração, treinamentos e relacionamento com clientes. Optei por escritórios sóbrios, espartanos, sem luxo, dando demonstração de que itens supérfluos não agregam valor. Preferi destinar quantias significativas para remunerações, formação e desenvolvimento dos recursos humanos. Afinal, em qualquer área de atuação, não se consegue sucesso sem excelentes equipes.

No momento, constatamos que as finanças do país estão caminhado para o colapso. Em artigo escrito há meses, disse que o endividamento caminhava célere para atingir 3 trilhões de reais no fim do ano. Já ultrapassou esta soma e pode chegar a 3,3 trilhões até dezembro. A maioria dos estados está endividada, vide Rio e Minas. É produto da gastança desenfreada, da irresponsabilidade gerencial, inobservância da LRF. Grande parte dos recursos destina-se à remuneração de servidores, devido ao empreguismo descontrolado. Em sã consciência, precisaria da PEC 241? Ora, os gestores políticos deveriam ser fiéis condutores do orçamento, respeitando a realidade de que as despesas não podem ultrapassar as receitas. Mas no Brasil não é assim. Nesta toada, caminharíamos para o caos total e o calote. A PEC 241 vai impedir o crescimento dos gastos, limitando-os aos do ano anterior, acrescidos da inflação. É incrível que o conceito cristalino de equilíbrio de receitas e despesas necessite de lei específica para ser cumprido. Parece que a PEC vai ser aprovada. Só se espera que, realmente, seja obedecida. Na teoria, impedirá reajuste de remuneração de servidores; criação de cargo, emprego ou função que implique aumento de despesa; admissão ou contratação de pessoal, a não ser em caso de reposições de cargos de chefia e de direção que não acarretem aumento de despesa; realização de concurso público, exceto para as reposições de vacâncias; criação de despesa obrigatória; criação ou expansão de programas e linhas de financiamento; concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária. É importante ressaltar que atinge todos os poderes.

Os opositores à medida, munidos de um leque de mentiras, argumentam, entre outros, que a redução dos gastos vai prejudicar os programas sociais e as áreas de educação e saúde. Que julgam eles? Que a escalada da dívida pública deva continuar sem controle? É claro que, no início, todos apoiavam a destinação de recursos para combater a fome e a pobreza extrema. Esperavam-se, contudo, programas complementares que viessem capacitar as pessoas e encaminhá-las a empregos. Como os programas sociais se tornaram permanentes e mecanismo de manutenção de determinado grupo no poder, é preciso que sejam revistos. Além disso, já foram constatadas muitas fraudes na sua execução. Quanto às áreas de educação e saúde, julga-se que mais recursos não vão mudar o quadro. O que falta é gestão. Não há foco na solução dos problemas. Sequer há identificação dos reais problemas e as causas fundamentais que os acarretam. Onde há um esforço sério de aplicação da gestão na educação, por exemplo, tem-se importante melhoria dos resultados. Haja vista a cidade de Manaus, que deu um show no último Ideb, sem o aporte de recursos adicionais. Enquanto continuarem perdidos, sem focar nos problemas prioritários, o paliativo é culpar a falta de recursos pelos trágicos resultados nas citadas áreas.

José Martins de Godoy
187 – 25/11/2016

José Martins de Godoy, engenheiro pela UFMG, dr. engenheiro pela Norges Tekniske Hogskole, ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG, cofundador  do INDG, instituidor e integrante do Conselho de Administração Superior da  Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila. Visite www.blogdogodoy.com

Fonte: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=1629#.WDwbx7IrLIU. Disponível em 28/11/16.

Eles não têm sapatos

Eles não têm sapatos

 

Vale lembrar: um fabricante de sapatos enviou um vendedor a certa região, com a finalidade de negociar seus produtos. Como o vendedor era pessimista, relatou ao empresário que não havia chance de vendas, pois o pessoal da região não usava sapatos. Renitente, o fabricante enviou outro vendedor. Este, otimista, informou animado que havia grande chance de vendas, pois o pessoal não tinha sapatos.

 

O que aconteceria se o presidente de um grupo estrangeiro enviasse uma pessoa ao Brasil para verificar possibilidades de aqui investir? Julgo que analisaria alguns dados do país e relataria: o IDH é o 75º entre 188 países; é um dos piores em matemática e ciências, ocupando a 133ª posição entre 139 países (ranking do Fórum Econômico Mundial). Cerca de 30% das pessoas são analfabetas funcionais, o que é um grande entrave ao progresso; o desemprego atingiu 11,4 mi de pessoas; parece que há uma guerra civil, pois 60 mil pessoas foram assassinadas e 43 mil morreram no trânsito, em 2015; a competitividade é baixa, é o 57º lugar entre 62 países; a contribuição da indústria para o PIB é de cerca de 10%, sendo que já foi de 19%; a dívida pública só aumenta e está perto de R$ 3 trilhões; a infraestrutura é inadequada, dificultando o escoamento da produção; a carga tributária é muito elevada, em vista do retorno do governo em serviços públicos; a regulação do trabalho é obsoleta e representa obstáculos à atividade econômica; a burocracia é infernal; a corrupção é endêmica; o país está relativamente isolado. Faz parte do Mercosul, que é uma fantasia. Tem apenas 3 acordos bilaterais, com Israel, Palestina e Egito, enquanto o Chile, por exemplo, tem 57 acordos; o peso do estado é gigantesco; não há lideranças políticas confiáveis; a segurança jurídica e o direito de propriedade não inspiram confiança aos investidores externos; uma camada da população tem aversão ao capital externo; um grupo político afirma que a nação está dividida entre nós e eles. Concluindo, o enviado, uma pessoa realista, informaria: sem chances de êxito na obtenção de resultados no país. O risco é muito elevado.

 

Persistente, o presidente resolve enviar uma outra pessoa com o mesmo objetivo. Afinal, o Brasil é a 9ª economia do mundo (já foi a 7ª) e deve ter alguma coisa a explorar. Esse enviado poderia ter a seguinte visão: a liquidez mundial está elevadíssima. Se houver credibilidade, acompanhada de estabilidade política, segurança jurídica e respeito a contratos, como vem sendo apregoado, recursos internacionais em abundância podem ser carreados para o país. Afinal, pagam-se as melhores taxas do mundo; o desemprego está elevado, logo existe muita gente para trabalhar; fala-se em venda de estatais e realização de concessões, o que demanda recursos externos. Isso traria o benefício de diminuir o tamanho do estado e melhoria da administração pública. O emissário também notaria um grande esforço no combate à corrupção. Como um milagre, surgiu um juiz que está dando esperanças aos brasileiros com relação ao tema, embora alguns magistrados comecem a impedir o surgimento de juízes semelhantes. Fala-se em reformas que poderão contribuir para o combate à inflação e endividamento público. Fala-se até em limitar os gastos públicos por meio de lei aprovada pelo Congresso. Ora, se tudo caminhar bem, o país poderá entrar nos eixos. Então, seria possível aos governantes cuidar dos clássicos deveres do estado: educação, saúde, infraestrutura e segurança. Já se destinam razoáveis recursos para educação e saúde, a posição do país não é tão ruim. Mas falta gestão focada na melhoria dos resultados. Com uma postura crítica, mobilização da sociedade e aplicação de gestão haveria avanços na área da segurança. Assim, o futuro não estaria perdido. O emissário, com um olhar mais otimista, diria que há grandes chances de sucesso na região. Recomendaria: aguarde 2 meses, porque muita coisa boa deve acontecer.

José Martins de Godoy
179 – 22/07/2016

 

Fonte: http://revistaviverbrasil.com.br/plus/modulos/listas/?tac=noticias-ler&id=1460#.V5C1KPmAOko. Disponível em 21/07/16.

Blog do Prof. Godoy

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